As perguntas falsas - notas
O que a filosofia me ensina muito é duvidar das perguntas. E muitas perguntas são falsas.
Mas muita gente insiste em creditar todas as perguntas como verdadeiras, e isso tem como consequência escorregar nas respostas.
Se eu te pergunto ‘Quem você matou ontem a noite’?
Ou ‘que filme, no cinema, você assistiu ontem’?
São perguntas falsas.
Você necessita submeter o interlocutor à reformulação. Pois qualquer resposta que você der vai sair como se realmente estivesse alinhado ao pressuposto.
Sobre a pergunta do filme, caso responda nenhum, esse pressuposto será que eu fui no cinema, mesmo sem ter ido. Caso diga que assistiu, mesmo em casa, também será o mesmo.
Isso é fácil pra perguntas simples como essas, mas e pra outras perguntas como:
Onde o socialismo deu certo?
Partindo disso eu posso perguntar: Bem, mas o que é dar certo? Dar certo seria o tempo de existência de um modelo político econômico? Ah, então a escravidão deu certo! Dar certo seria reduzir ao máximo a pobreza? Ora, então a China deu certo!
Percebe o quanto as perguntas - mais do que as respostas - muitas vezes é que são problemáticas?
Se considerarmos o capitalismo com mais de 500 anos de existência e ainda ser um sistema que permite que boa parte da população mundial passe fome e compararmos com o socialismo chinês que erradicou a extrema pobreza em poucas décadas, podemos considerar esse modelo como o que ‘deu certo’?
Produzir mais riquezas, mesmo concentrando nas mãos de somente 1% da população, é dar certo?
Perguntas, perguntas…
Notas sobre o vídeo “ Onde o socialismo deu certo?, do canal Filosofia Vermelha”